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_Alguns dados sobre os jornais locais_

BEIRA VOUGA

BEIRA VOUGA: A PROFÍQUA CAMINHADA DE UM JORNAL (1)

[Beira Vouga] é o segundo em longevidade, pois teve uma primeira fase de 12 anos (...) até à sua extinção em 1953.

BEIRA-VOUGA

SEGUNDA FASE: DEPOIS DE 1962

Recomeçou com a 2ª fase em 1 de Agosto de 1962 e vai entrar agora no 25º ano como quinzenário regionalista, ímpar na informação, no combate, na divulgação, no estudo, defesa e conservação de tudo quanto diz respeito à nossa terra e à admirável região que a enquadra.

O nome é feliz e, por tal, perdurou. A obra é útil e por tal persiste. Mas nada disso teria acontecido sem a contribuição fundamental dos muitos que a ela ficaram ligados.

Há um quarto de século, o José Figueiredo, proprietário da Tipografia Vouga e o grande responsável pela manutenção da imprensa periódica de Albergaria, nos últimos sessenta anos, decidiu lançar, de novo, mais um jornal. Conservou o título do jornal desaparecido e convidou para director o Dr. Manuel Homem Ferreira, advogado, intelectual e político de projecção nacional, deputado da Nação.

Colaborador de vários jornais, entre os quais o anterior «Beira Vouga», este nosso conterrâneo tinha sido o director de «Brisa», a excelente «revista mensal de cultura, arte, regionalismo, cinema e desporto» de que José Figueiredo, era proprietário e que a Tipografia Vouga compunha e imprimia com inúmeras gravuras e o bom gosto habitual. Nela colaboraram alguns dos mais destacados vultos da vida literária e artística nacional. Era, por isso, o director que se impunha.

Na «Nota de Abertura» do «Beira Vouga», ao anunciar o ressurgimento do jornal, afirmava que «sob a direcão de um querido amigo atingiu, nesta região um plano de indiscutível relevo» e se iria procurar que o jornal fosse uma época de aridez em que vivemos, uma tribuna de franco convívio».

E assim sucedeu durante os doze anos seguintes em que o seu nome aparece como director, dinamizando vários dos antigos, colaboradores. Título e páginas com gravuras a cores, paginação correcta nas suas 8 a 12 páginas, foram também uma afirmação de José Figueiredo e da sentida experiência da Tipografia Vouga.

Entretanto, em 30 de Novembro de 1973, o número 210 aparece, surpreendentemente, sem a indicação do nome do director e editor e assim vai continuar, com uma saída irregular até ao n.° 214, de 10 de Abril de 1974, em que, finalmente, em fundo, com fotografia, aparece o elogio e a justificação para o abandono do Dr. Manuel Homem de Albuquerque Ferreira, «devido aos seus múltiplos afazeres».

No número seguinte, que surge a 20 de Maio, com o título em grandes letras vermelhas, ao alto de toda a 1ª página, comemorando o 25 de Abril, vem na última página, sob o cabeçalho anterior o nome do novo director e editor - Amaro Ferreira das Neves, um quase desconhecido no meio. Em pequena nota na página 3, se diz que é «licenciado em Letras (Ciências Históricas) douto Director da Escola Preparatória Conde D. Henrique e Intelectual de muito mérito». A sua designação devia-se ao cumprimento de uma obrigatoriedade legal.

Nunca me apercebi que o tal «mérito» perpassasse pelo jornal, no qual creio que o referido «Intelectual» não colaborava para além das notícias da própria escola que passou a incluir.

Talvez por isso e por alteração das exigências legais, a partir do n.° 237, de 30 de Junho de 1975, sem uma palavra para o despedimento desse exógeno director e sem qualquer explicação, aparece na direcção - Jorge Manuel Arede Figueiredo, neto do proprietário, o velho José Figueiredo.

O quinzenário vai prosseguindo, apesar das perturbações que chegam à Tipografia e nele se reflectem inegavelmente.

Ao festejar os 18 anos com o n.° 331, o «Editorial» «lamenta as dificuldades, pois se antes havia espinhos, como a censura, ( ... ) agora há calhaus», como a «subida de preços que atormenta todos e a Vida de um jornal».

É o resvalar. A saída começa a ser muito irregular e o fim aproxima-se, com pesar para os seus muitos leitores e colaboradores.

A perda, porém, não chegou a consumar-se. Há pouco mais de dois anos, o nosso conterrâneo Fausto Meireles e a empresa de que é sócio agarraram arrojadamente a iniciativa. Como Director dá início a uma nova era e, mais do que isso, não deixa perder este elemento imprescindível da cultura albergariense.

É um novo período na antiga e prestimosa imprensa regional. Porque sou colaborador assíduo, a minha apreciação sobre os dois anos decorridos será suspeita.

Mas creio bem que os leitores se terão apercebido da importância e valor desta etapa, do trabalho realizado e do contributo dado desinteressadamente a toda a região.

A afirmação de Fausto Meireles, no seu primeiro editorial «Vida Nova» inserto no n.° 355, de 15 de Abril de 1985, «ao retomar a periodicidade quinzena]» ( ... ) «Procurar-se á
satisfazer a exigência - que a nós próprios impomos - de o não deixar cair na rotina, mas, pelo contrário, relançá-lo em moldes novos» está a cumprir-se.

Quando a história desta época for feita, o «Beira Vouga», de Fausto Meireles, dela constará como fonte imprescindível.

Alburquerque Pinho / Beira Vouga nº 406 de 1 de Agosto de 1987

QUINZENÁRIO REGIONALISTA DO CONCELHO DE ALBERGARIA

Com este número completa-se um ciclo de 25 anos da segunda fase da vida deste jornal. Longe do nosso pensamento, há uns anos atrás, estar hoje a comemorar este efeméride com a responsabilidade da sua direcção, edição, e...

Quando em 1 de Agosto de 1962 ressurgiu o BEIRA VOUGA sob a direcção do Dr. Manuel Homem Ferreira, todos quantos gostavam da sua terra e apreciavam a cultura, puderam constatar que este não era um jornal «provinciano». Contava, para além da capacidade invejável do seu director, com uma colaboração variada e de alto gabarito. Sem falsa modéstia sabemos até onde vão as nossas limitações. Todavia, como director, orgulhamo-nos por poder contar com colaboração do gabarito intelectual e amor a esta causa que em nada deslustram os que há 25 anos tornaram este jornal num dos mais apreciados do Distrito de Aveiro. Competirá aos historiadores fazer reviver no presente, a importância do passado, com os olhos no futuro. (…)

Fausto Meireles – Editorial - Beira Vouga nº 406 de 1 de Agosto de 1987

Em 2007 comemorou o seu 46º aniversário. Actualmente pertence ao Grupo Média Centro e abrange os concelhos de Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga.

1 comentário:

cruz disse...

muito longo, era preferível dividir em vários posts